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Horto de Damasco

Neste blog, estaremos disponibilizando semanalmente artigos espíritas.

VIDA E SEUS DESAFIOS

ArtigosPosted by Horto de Damasco Tue, January 16, 2018 08:40:13
Por Iara Ristow (membro da equipe do Horto de Damasco)

VIDA E SEUS DESAFIOS

“Eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância. ” – Jesus (João 10:10)

A proposta de Jesus decerto não se referia às aquisições materiais que proporcionam conforto e bem-estar, embora sejam benévolas quando não se encontram prioritárias na agenda cotidiana do Espírito Imortal, em trânsito pela Terra. Convidava o Mestre à Vida Maior, que se constitui das Verdades e Bens imperecíveis, os quais seguem com o Espírito, quando este se desvencilha do corpo físico.

No seu seio doutrinário, o Espiritismo demonstra a relevância do tema, no que se refere à preservação e valorização da Vida, em todos os seus aspectos.

O contexto histórico atual, de divergências e contradições, não obstante a diversidade criativa e as produções intelectuais, tem ocasionado aflições sem conta, no âmbito doméstico e social, à criatura humana, devido ao seu distanciamento do eu essência, Espírito Imortal e condutor do destino.

Este afastamento aprisiona-o às circunstâncias externas, gerando ansiedade e frustração, quando não se vê atendido, ou a viciações tóxicas que o degeneram integralmente. O materialismo, na ilusória filosofia que dissemina, induzindo ao ter, fictício, pois temporário, tem gerado transtornos diversos, culminando, por vezes, no autoextermínio, diante das condutas suicidas.

Neste quadro aflitivo, raramente, o indivíduo tem procurado as causas que o atordoam, preferindo permanecer na normose que acredita ser o modus vivendi correto. E em não realizando as reflexões que lhe oportunizariam alívio e recomeço, para experiências mais saudáveis, acaba descambando para as fugas psicológicas que passam a lhe caracterizar o comportamento.

Jesus, ao reafirmar o Salmos 82:6 em João (10:34) “Sois deuses “e “aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas (João, 14:12)” (...), noticiava a condição divina da humanidade, com possibilidades várias e potencialidades ainda em gérmen, a serem desenvolvidas; e acrescente-se ainda: conforme a vontade e o empenho de cada um.

Muitos jazem, ainda fascinados pelas sensações físicas, no afã de atendê-las, distanciados de sua origem e das reais necessidades no cômputo de seu psiquismo, almejando preencher as lacunas existenciais com feitos e objetos, ocasionando, assim, mais dissabores.

Nesse descaminho, o ser humano tem enterrado ou distribuído erroneamente os seus talentos, quando não os utiliza para sua própria derrocada moral, esvaziando os reservatórios fluídicos do organismo físico, e despertando no mais além, na triste condição de suicida.

Por essa razão, as atividades realizadas visando a Defesa da Vida são essenciais, num contexto social descrente – e, na profissão de professora, percebo muito bem tal situação entre os adolescentes, que tem se automutilado de várias maneiras, por não encontrarem um sentido para a vida, que lhes dê esperança para uma continuidade. É certo que são multifatoriais os geradores de tal conduta destrutiva, e em especial, aqueles objetivos traçados e estimulados pela família (formação, profissão, casa, carro, ascensão social) não tem atendido os anseios da mocidade.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no texto referente ao suicídio, credencia as filosofias materialistas como as grandes responsáveis pelos desatinos da Humanidade

“Mas, para aquele que não crê na eternidade e julga que nesta vida tudo se acabará, que está oprimido pelo desgosto e pelo infortúnio, só vê na morte a solução dos seus males. Por não esperar nada, acha natural e até mesmo muito lógico abreviar suas misérias pelo suicídio.

A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas são, numa palavra, os maiores incentivadores ao suicídio: elas produzem a covardia moral. (ESE, cap. V, o Suicídio e a Loucura, itens 15 e 16).

Neste texto, Kardec propõe, objetivamente, as consequências àquele que apenas crê na existência presente, colocando nela todos os seus anseios, e cedo vê-se frustrado, pois as circunstâncias do cotidiano são desafiadoras, compelindo à superação, visando aprendizado. No entanto, diante da crença no nada, após a morte, não encontra razões para perseverar.

O Espiritismo faculta a compreensão do porvir, como o resultado da vivência presente; então, depende de cada um a construção de uma vida melhor, assim como as dificuldades do momento são elaborações de existências transatas.

A nobre mentora Joanna de Angelis menciona, em sua obra Conflitos Existenciais, “a culpa é algoz persistente e perigoso, que merece orientação psicológica urgente.”, referindo-se à problemática da culpa, gerando diversos transtornos na conduta humana, inclusive os autoflagelos. Oriunda de experiências de um passado recente ou remoto, sem as devidas resoluções, a culpa se manifesta traiçoeira, bloqueando as melhores disposições, e induzindo a comportamentos mórbidos.

Dessa maneira, o auto perdão é o antídoto seguro, juntamente com a prática do bem, nas ações renovadas e reparadoras, ás quais diluem as sombras dos erros cometidos, conduzindo à paz.

REFERÊNCIAS

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 5, item 15 e 16, p. 108.

DIAS, Haroldo D. O Novo Testamento. 1 ed. Brasília. FEB. 2013.

FRANCO, Divaldo P. Conflitos Existenciais. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador. Editora Leal.